Para quem não sabe me chamo William Alves, sou natural São Leopoldo e sou produtor fonográfico.
Volta e meia produzo material para bandas independentes locais da região metropolitana de Porto Alegre.
Grande parte das bandas que aceito/decido adentrar em estúdio para começar produções de seus primeiros arquivos de áudio profissional possuem prioridades em comum, tais como gravar um bom acervo de músicas, agendar bons shows para divulgarem seus materiais e, por fim, colocarem essas músicas produzidas em um disco, se prender a um selo musical e por fim colocarem seus discos nas prateleiras de lojas de Porto Alegre como Multisom, Toca do Disco, Lojas Americanas, Livraria Cultura, entre outras nem tão especializadas em venda de álbuns musicais. E há algumas semanas, ao escutar de uma banda que seus primeiros objetivos eram esses últimos que citei, mais uma vez perguntei aos membros da banda algo que ao meu ver os ajudaria a cair dentro de uma realidade mais tangível ao nosso presente. Perguntei a eles:
"- Quantos CDs cada um de vocês comprou no último mês?"
"- Nenhum." - foi a resposta rápida que escutei de todos, quase que de forma uníssona e sem necessidade de tempo para pensarem. Continuei fazendo perguntas:
"- No último semestre, quantos CDs cada um de vocês comprou em uma loja?"
Esperava mais uma vez escutar um uníssono "Nenhum" como na resposta a pergunta anterior, mas não foi o que aconteceu. Um dos membros da banda achou haver me surpreendido, o que aconteceu até certo ponto, ao dizer "Eu comprei um CD", mas logo percebeu onde eu queria chegar.
O único disco comprado nos últimos 6 meses por um membro da banda era o Wasting Light, do Foo Fighters, lançado em 2011 - disco que aliás acho sensacional! -, após ter escutado na integra a versão divulgada no YouTube pela própria banda norte americana.
As pessoas não possuem mais o hábito de comprar constantemente CDs nas prateleiras físicas nacionais. Algumas ainda buscam atualizar as discografias de suas bandas favoritas, mas há algo em comum entre esses dois tipos de pessoas: Tanto quem compra um álbum musical por interesse em uma banda, quanto quem já é fã formado de outras tantas apenas compra aquilo que já conhece. Comprarão depois de haver conhecido uma boa parte do material que estão prestes a adquirir.
Quando eu tinha entre 9 e 14 anos de idade eu escutava muitas rádios. Não tinha acesso a internet de qualidade se queria conhecer alguma nova banda era preciso torcer para uma música boa tocar no FM e o locutor informar a playlist ao final do programa. Depois de tomar conhecimento do nome da banda eu juntava alguns trocados e ia até a loja de discos mais próxima, no centro da cidade, pedir para o vendedor me deixar escutar algumas faixas de qualquer álbum da banda que até dias atrás eu nem sabia que existia.
Na maioria das vezes eu saia da loja com um CD novo. Ficava meses olhando o mesmo encarte, até que ele criava verdadeiros rasgos, chegando a ficar esfolado nos cantos, de tanto que o tirava e recolocava na mesma caixinha de acrílico. Era uma grande decepção quando no encarte do disco não possuia as letras das canções ou ele simplesmente era uma capa de folha única. Cada nova aquisição era um tesão renovado ao ligar o rádio!
Na maioria das vezes eu saia da loja com um CD novo. Ficava meses olhando o mesmo encarte, até que ele criava verdadeiros rasgos, chegando a ficar esfolado nos cantos, de tanto que o tirava e recolocava na mesma caixinha de acrílico. Era uma grande decepção quando no encarte do disco não possuia as letras das canções ou ele simplesmente era uma capa de folha única. Cada nova aquisição era um tesão renovado ao ligar o rádio!
Estamos na era em que quando uma pessoa quer conhecer o trabalho de uma banda que ouviu falar não precisa fazer muito mais do que dar alguns cliques e ouvir tudo pela web, baixar e até mesmo pagar pelo que escutou com tão poucos cliques quanto os que a levaram até a página das músicas.
O cartão de visita de um músico sempre foi e sempre será seu fonograma. Seu som registrado em um arquivo de áudio. Porém, artistas não ficam incrivelmente famosos ou ricos por venda de discos em lojas. Uma boa divulgação de seu fonograma, feita de forma inteligente, acarretará em vender shows, e vender bons shows acarretará em vender mais shows. Vender CDs são uma consequência de tudo isso.
No mundo em que vivemos nossa vida é tão pública quanto nunca jamais foi. Não separamos mais "on line" do "off line". Estamos sempre conectados. Estamos esperando na fila dos consultórios médicos com fones no ouvido, verificando nosso Facebook, lendo nosso Twitter e conferindo todas as notícias que nos são apresentadas em tempo real. É mais fácil encontrarmos os seres humanos via internet do que fisicamente. Ainda existe alguma dúvida de por onde os públicos alvos das bandas (marcas) devem ser atacados?