segunda-feira, 30 de julho de 2012

A Indústria Fonográfica e a Venda de Discos

Para quem não sabe me chamo William Alves, sou natural São Leopoldo e sou produtor fonográfico.
Volta e meia produzo material para bandas independentes locais da região metropolitana de Porto Alegre.
Grande parte das bandas que aceito/decido adentrar em estúdio para começar produções de seus primeiros arquivos de áudio profissional possuem prioridades em comum, tais como gravar um bom acervo de músicas, agendar bons shows para divulgarem seus materiais e, por fim, colocarem essas músicas produzidas em um disco, se prender a um selo musical e por fim colocarem seus discos nas prateleiras de lojas de Porto Alegre como Multisom, Toca do Disco, Lojas Americanas, Livraria Cultura, entre outras nem tão especializadas em venda de álbuns musicais. E há algumas semanas, ao escutar de uma banda que seus primeiros objetivos eram esses últimos que citei, mais uma vez perguntei aos membros da banda algo que ao meu ver os ajudaria a cair dentro de uma realidade mais tangível ao nosso presente. Perguntei a eles:
"- Quantos CDs cada um de vocês comprou no último mês?"
"- Nenhum." - foi a resposta rápida que escutei de todos, quase que de forma uníssona e sem necessidade de tempo para pensarem. Continuei fazendo perguntas:
"- No último semestre, quantos CDs cada um de vocês comprou em uma loja?"
Esperava mais uma vez escutar um uníssono "Nenhum" como na resposta a pergunta anterior, mas não foi o que aconteceu. Um dos membros da banda achou haver me surpreendido, o que aconteceu até certo ponto, ao dizer "Eu comprei um CD", mas logo percebeu onde eu queria chegar.
O único disco comprado nos últimos 6 meses por um membro da banda era o Wasting Light, do Foo Fighters, lançado em 2011 - disco que aliás acho sensacional! -, após ter escutado na integra a versão divulgada no YouTube pela própria banda norte americana.

As pessoas não possuem mais o hábito de comprar constantemente CDs nas prateleiras físicas nacionais. Algumas ainda buscam atualizar as discografias de suas bandas favoritas, mas há algo em comum entre esses dois tipos de pessoas: Tanto quem compra um álbum musical por interesse em uma banda, quanto quem já é fã formado de outras tantas apenas compra aquilo que já conhece. Comprarão depois de haver conhecido uma boa parte do material que estão prestes a adquirir.

Quando eu tinha entre 9 e 14 anos de idade eu escutava muitas rádios. Não tinha acesso a internet de qualidade se queria conhecer alguma nova banda era preciso torcer para uma música boa tocar no FM e o locutor informar a playlist ao final do programa. Depois de tomar conhecimento do nome da banda eu juntava alguns trocados e ia até a loja de discos mais próxima, no centro da cidade, pedir para o vendedor me deixar escutar algumas faixas de qualquer álbum da banda que até dias atrás eu nem sabia que existia.
Na maioria das vezes eu saia da loja com um CD novo. Ficava meses olhando o mesmo encarte, até que ele criava verdadeiros rasgos, chegando a ficar esfolado nos cantos, de tanto que o tirava e recolocava na mesma caixinha de acrílico. Era uma grande decepção quando no encarte do disco não possuia as letras das canções ou ele simplesmente era uma capa de folha única. Cada nova aquisição era um tesão renovado ao ligar o rádio!

Estamos na era em que quando uma pessoa quer conhecer o trabalho de uma banda que ouviu falar não precisa fazer muito mais do que dar alguns cliques e ouvir tudo pela web, baixar e até mesmo pagar pelo que escutou com tão poucos cliques quanto os que a levaram até a página das músicas.

O cartão de visita de um músico sempre foi e sempre será seu fonograma. Seu som registrado em um arquivo de áudio. Porém, artistas não ficam incrivelmente famosos ou ricos por venda de discos em lojas. Uma boa divulgação de seu fonograma, feita de forma inteligente, acarretará em vender shows, e vender bons shows acarretará em vender mais shows. Vender CDs são uma consequência de tudo isso.

No mundo em que vivemos nossa vida é tão pública quanto nunca jamais foi. Não separamos mais "on line" do "off line". Estamos sempre conectados. Estamos esperando na fila dos consultórios médicos com fones no ouvido, verificando nosso Facebook, lendo nosso Twitter e conferindo todas as notícias que nos são apresentadas em tempo real. É mais fácil encontrarmos os seres humanos via internet do que fisicamente. Ainda existe alguma dúvida de por onde os públicos alvos das bandas (marcas) devem ser atacados?


terça-feira, 27 de março de 2012

Nota de Esclarecimento

Sabem, há alguns meses venho tentando juntar minhas obrigações pessoais, meus desejos e ambições de forma que nenhum interfira no outro. Não tenho conseguido.
Decidi que por diversos motivos que para mim o mais cômodo e sensato agora é que devo deixar a Camelos do Asfalto e desde o último dia 18 não faço mais parte. Não tenho mais tempo para a banda e muito menos paciência pra tentar entender certas infantilidades de gente que quer ser profissional no ramo, mas esquece a humildade em casa ou em algum canto do próprio umbigo.

Não tenho mais clima pra continuar. Gostaria de agradecer aos amigos Ezequiel Bitencourt, Gustavo Schardong e Jonathan Aguirre pelo tempo que tocamos juntos desde meados de 2008/ 2009 quando fizemos nosso primeiro ensaio no Estúdio do Velton. Tenho certeza que não esqueci de mencionar ninguém que não fosse importante e desejo boa sorte a banda, que não sei qual caminho certo tomará.
Aprendi muito e evoluí muito com os amigos que me acompanharam nessa jornada, mas por vários motivos o melhor para mim agora foi a decisão que tomei.
Já me perguntaram se formarei outra banda, se pararei de tocar e até mesmo se largarei a música. Não pretendo largar nunca a música. Por hora meu investimento maior será como produtor fonográfico. Já recebi um convite de um amigo para fazer parte de um projeto (leia-se banda) que ele está a organizar e creio que será revigorante para mim no momento, mas como ainda não estamos com trabalhos concretizados não divulgaremos nada até o momento certo.

E pra encerrar, apenas aquele velho e tosco video de anos atrás, mas que até hoje incrivelmente foi nosso registro mais repercutido. Minha preferida "Borracho", de quando eu sentia que essa banda ainda era um grupo:
 

Adelante, comancheros! 

*Não mencionei o Max no texto apenas por ele há tempos não ser mais nosso baixista, mas nem por isso sou menos grato a ele quanto aos outros 3 que mencionei anteriormente.
 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Qual o nome do Presidente do Brasil? Roberto Marinho!

É apenas uma sátira simbólica com o principal nome da Rede Globo, mas simplifica meu pensamento sobre a mídia no país.
Esta semana se deu início as propagandas eleitorais a televisão e pude notar como todos a diferença de tempo concedida de candidato a canditado. Os candidatos que mais populares tem maior tempo de discursos e campanha, mas será que isso justifica mesmo poderem tomar vantagem sobre os outros candidatos menos favorecidos? Esses outros candidatos vem fazendo suas camapanhas de forma implícita há anos e será que ninguém nota?
Hoje é a decisão da Taça Libertadores da América. Alguém se lembra da última vez que a imprensa gaúcha fez tanta CAMPANHA por um clube em Libertadores quanto essa para o Internacional? Em 2006 fizeram jingles de incentivo para o torcedor ir ao estádio apoiar seu clube e todos vimos no que deu. Em 2007 alguém se lembra da maravilhosa campanha gremista na mesma Taça Libertadores da América? Eu me lembro muito bem e não tinha toda essa papagaiagem da RBS.
A mídia pode simplesmente impor idéias e ideologias a uma população ignorante. Desde hábitos em personagens de novelas a uma simples propaganda que se repete a cada 25 minutos.
A música que estará dando dinheiro hoje em cerca de dois anos poderá falir um "artista". A televisão e meios de comunicação nos impoem modas e só de andarmos pelas ruas vemos nas crianças o resultado que isso tem.
Nosso país terá o presidente esse ano que a imprensa quizer e assim será por muito tempo até que nosso povo abra os olhos. Como já dizia Renato Russo: "Vamos celebrar o voto dos analfabetos"... é deprimente saber que gente sem formação alguma (e não falo nem de ensino médio, faculdade ou cursos técnicos, apenas falo de pessoas ignorantes no conhecimento e discernimento) tem mesma expressão de voto daqueles que estudam cautelosamente o candidato a votar e eu considero isso uma grande pena.
Isso tudo é uma pena para aqueles que realmente esperam por um país melhor, com mais cultura e percepção de o quanto tem poder quando agem da maneira certa.
Para alguns votar nulo é sempre a melhor solução, mas eu ainda acredito que existam pessoas que podem sim ser eleitas e fazer algo bom por esse país, porém se me perguntarem não saberei indicar uma.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Primeira de muitas postagens

Bem... nada mais ideal do que dizer o motivo de eu ter feito esse blog... apenas falta de o que fazer, e também a vontade de expressar idéias, opniões e frases com mais de 140 caracteres como sempre fiz no twitter, hehe'. Como tudo aqui é experimental talvez se ouver alguma santa alma que realmente leia isso ou simplesmente visite vai notar eventuais mudanças.
Sejam todos bem vindos ao Louco Mundo de William Alves.